Diagnóstico Etnoambiental Xavante

A proposta de um plano de gestão integrado para a Terras Indígenas Areões e Pimentel Barbosa foi prontamente aceita pelas comunidades e teve grande repercussão entre eles. De fato, o inicio dos estudos foi permeado por dúvidas, por parte da comunidade de Areões, em relação à proposição do projeto ora executado, pelo motivo da iniciativa ter sido da Associação Xavante de Pimentel Barbosa.
Superado as diferenças inerentes às duas comunidades, houve colaboração em quase toda a totalidade das aldeias das T.I’s, inclusive às que são oponentes ao grupo dominante da T.I. Houve apenas oposição da aldeia Wederã, Terra Indígena Pimentel Barbosa, pelo motivo do líder desta aldeia manter oposição ao grupo da aldeia Pimentel Barbosa.
Os estudos de Diagnóstico foram simultaneamente executados nas duas terras indígenas, segundo as diretrizes dos Projetos Norowedena’rada e Etenhiritipá. Como já tinha sido exposto nestes projetos, estas duas terras indígenas possuem relações muito próximas do ponto de vista das fisionomias encontradas na região, assim como do ponto de vista da organização política. O Núcleo de Apoio de Água Boa – FUNAI, abriga a jurisdição das duas terras onde realizando assistência a projetos agrícolas e apoio institucional para as comunidades.
Desta forma, os dados de caracterização cultural, censo, atividades produtivas e caracterização física da região e o diagnóstico de educação ambiental e o diagnóstico do uso do fogo, serão apresentados em conjunto, enquanto os dados específicos da fauna (mastofauna, avifauna), flora serão apresentados em relatórios separados para cada terra.
Os Xavante se encontram na atualidade em situação favorável a proposições de cunho presevacionista, pois entendem com muita clareza a complexidade das relações em que estão envolvidos com a comunidade envolvente, no tocante a manutenção das atividades tradicionais do grupo. De fato, a comunidade de Areões sofreu a influência direta de vários projetos propostos pela Fundação Nacional do Índio – FUNAI, em que o direcionamento principal era a transformação da comunidade em pequenos produtores locais de produtos agricultáveis como o arroz, milho e feijão e também de pecuária extensiva.
O confinamento em Terras Indígenas proporcionou aos Xavante, em detrimento aos fatores negativos desta situação, a consciência de que seus conhecimentos tradicionais sobre meio ambiente são seus maiores bens. Eles compreendem “que a biodiversidade não é só um produto da natureza, mas em muitos casos é produto da ação das sociedades e culturas humanas, em particular das sociedades tradicionais não-industriais”  . É também uma construção cultural e social. As espécies vegetais e animais são objeto de conhecimento, domesticação e uso, fonte de inspiração para mitos e rituais de sua comunidade, e finalmente, mercadoria nas sociedades modernas.
Desta forma, em oposição aos produtores locais, os Xavante se posicionam como defensores do meio ambiente aderindo ao discurso dos ambientalista, incorporando suas práticas. Entretanto, ficaram dos projetos anteriores algumas ações que podemos dizer que são irreversíveis, como o plantio e consumo de arroz e a criação de gado de corte. Mas devemos levar em consideração que “as comunidades tradicionais também se modificam sob o efeito de dinâmicas internas e externas (alteração na estrutura fundiária, consumos de produtos industrializados), mas em ritmo mais lento. Além disso, sua forte dependência dos recursos naturais, sua estrutura simbólica, os sistemas de manejo desenvolvidos ao longo do tempo, e muitas vezes, seu isolamento, possibilitam uma parceria nos esforços para a conservação” .
Alguns exemplos nos vários continentes (Pimbert, 1997; Colchester, 1997) têm revelado que “quando é dado o apoio necessário a essas comunidades, elas são as primeiras a mostrar oposição, em virtude dos efeitos devastadores das mineradoras, das madeireiras e dos especuladores.”
A comunidade Xavante é empreendedora  e possui uma estrutura de informação interna, para o grupo todo, sobre grande parte dos movimentos do governo federal e das ong’s que realizam trabalhos com grupos indígenas. Estas informações são conseguidas por meio dos agentes Xavante que freqüentam constantemente a sede da FUNAI em Brasília e também outras instituições. Ao retornarem as aldeias é comunicado à comunidade todas as atividades que os líderes desenvolveram junto as instituições por meio das reuniões diárias, Warã. Esta reunião é parte das atividades tradicionais deste grupo, e se realiza pelo conselho dos anciãos denominado Warã. Esta instituição Xavante foi o principal suporte para que os estudos de diagnóstico etnoambiental pudessem ser empreendidos.

1 comentário para Diagnóstico Etnoambiental Xavante

  • Carolina Delgado de Carvalho

    Boa tarde,
    sou bióloga e faço especialização sobre as transformações na alimentação Xavante. Gostaria de obter mais informações e, se possível, o diagnostico citado nesta notícia. Seria possível consegui-lo?
    Aguardo contato,
    Atenciosamente,
    Carolina D Carvalho