Diagnóstico da Flora Tradicional de Uso Comestível dos Xavante da Microrregião Norotsurã

Ricardo Calaça Manoel

O diagnóstico da microrregião Norotsurã é uma iniciativa da associação AXISNOR – Associação Xavante Indígena Norotsurã, entrevendo a necessidade de revigorar e implementar a alimentação e as tradições do grupo familiar Norotsurã.
O objetivo específico dos estudos de diagnósticos são as espécies frutíferas de uso tradicional dos Xavante, sendo assim, um diagnóstico voltado para o reflorestamento da microrregião Norotsurã com as espécies da flora de interesse alimentar da comunidade.

Áreas de coleta

Durante as entrevistas foram indicadas duas áreas importantes para coleta, uma delas para o pequi (abare) e a outra para o puçá (tinini)

A microrregião Norotusrã está inserida na Terra Indígena Parabubure, uma da 7 terras  indígenas Xavante no leste mato-grossense. Esta, dentre todas as outras terras Xavante, apresenta a especificidade de agrupar vários grupos políticos em um único território. Poderíamos dizer que a T.I Parabubure não consiste em um bloco monolítico no que concerne às linhagens e aos grupos políticos, ou mais usualmente denominado de facções. Este fato determina, em grande medida, a atual conformação e divisão dos espaços territoriais e os seus usos.

O grupo Norotsurã ocupa uma região com cerca de 40 mil ha na porção mais ocidental da terra indígena Parabubure, compreendendo um total de 8 aldeias associadas e ligadas umas as outras por laços de parentesco e afinidades. O patriarca do grupo é o senhor Pio, filho mais velho do antigo líder já falecido Örebewe, além de Pio seus outros filhos são Guido, líder da aldeia Norotsurã; Eduardo, líder da aldeia Três Marias; Miguel, líder da aldeia Espírito Santo.

A comunidade Norotsurã se encontra em processo de organização de suas aldeias e preparação para gestão de projetos, de forma geral, a mentalidade assistencialista herdada dos longos anos de atuação da FUNAI e dos missionários evangélicos ainda é dominante.

Pequi (abare)

A comunidade Norotsurã se encontra em processo de organização de suas aldeias e preparação para gestão de projetos, de forma geral, a mentalidade assistencialista herdada dos longos anos de atuação da FUNAI e dos missionários evangélicos ainda é dominante.

A partir da indicação das principais áreas de coleta foi feito o levantamento de vegetação para avaliar parâmetros fitossociológicos importantes que determinam a abundância, a distribuição e a diversidade das espécies que compõe a comunidade. A identificação e estudo destes locais são de suma importância para a escolha das matrizes e coleta de sementes para a produção futura de mudas saudáveis e conseqüentemente plantas produtivas.

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