Valorização e adequação dos Sistemas de Parto Tradicionais das Etnias Indígenas do Acre e do Sul do Amazonas

Stella Matta-Machado e Ricardo Calaça

Incentivar e valorizar o trabalho das parteiras e dos pajés, fomentando a troca de experiências e a formação de uma rede organizada de diálogo entre estes agentes, visando assim aprimorar as práticas tradicionais indígenas de assistência ao parto, adequando-as as atuais condições da saúde indígena materno-infantilIncentivar e valorizar o trabalho das parteiras e dos pajés, fomentando a troca de experiências e a formação de uma rede organizada de diálogo entre estes agentes, visando assim aprimorar as práticas tradicionais indígenas de assistência ao parto, adequando-as as atuais condições da saúde indígena materno-infantil

Considerando a atual situação dos sistemas de parto tradicionais entre os povos Indígenas do Acre e do Sul do Amazonas relativos ao abandono e desvalorização dos saberes e das práticas tradicionais de cuidados voltados para a saúde reprodutiva, a concepção, a gravidez, o parto e o puerpério, existe a necessidade dos grupos indígenas se organizarem para poderem enfrentar esse problema, desenvolvendo estratégias de ação que incentive e valorize o trabalho das parteiras e dos pajés de forma articulada aos Agentes Indígenas de Saúde (AIS) e as Equipes Multidisciplinares de Saúde (EMS), contribuindo assim para a melhoria das condições de saúde materno-infantil indígena. Nesse sentido, esse projeto possui um caráter participativo e pretende ser uma forma de apoiar e dar continuidade ao trabalho que já vem sendo desenvolvido pelo movimento de mulheres indígenas do Acre e do Sul do Amazonas.

Os encontros e reuniões propostos por esse projeto, são espaços de negociação de significados que visam criar condições para a atualização e para a manutenção dos sistemas de parto tradicionais dos povos indígenas, contribuindo assim para a continuidade da sua organização sócio-cultural tradicional e para a valorização dos saberes e das praticas tradicionais de cuidado usadas durante o processo de gestação, parto e o puerpério. Por outro lado, estas reuniões também são espaços voltados para a criação de estratégias e de ações que objetivam a melhoria da saúde da mulher e da criança indígena e por isso, devem ser momentos abertos para que os grupos indígenas construam a dinâmica da reunião segundo a sua forma tradicional de conversar.

A participação do pajé nestas reuniões é fundamental por ser ele mais um dos atores que atua junto com as parteiras no atendimento à gestante e à criança contribuindo para reforçar o trabalho das últimas nas aldeias e valorizar os conhecimentos e as práticas de auto-atenção tradicionais.

A participação dos AIS nestas reuniões tem como objetivo a construção de procedimentos que articulem os trabalhos comunitários desenvolvidos pelas parteiras e pelos pajés a atuação dos profissionais de saúde da equipe multidisciplinar de saúde, contribuindo assim para a criação de rotinas de acompanhamento e de cuidado às gestantes, parturientes, nutrisses e crianças indígenas. Será privilegiada a participação de AIS mulheres devido a questão de gênero relacionada às especificidades que a atenção à saúde da mulher exige, assim como, também por constituir num incentivo ao incremento no número de mulheres indígenas que atuem na área de saúde e a participação política das mesmas nos espaços de controle social.

Produzir conhecimentos de base sobre o panorama atual dos sistemas de parto indígenas e suas práticas

Produzir conhecimentos de base sobre o panorama atual dos sistemas de parto indígenas e suas práticas

Em última instância, este projeto pretende contribuir para a melhoria da qualidade da articulação entre o sistema oficial de saúde e os sistemas médicos tradicionais indígenas no que se refere especificamente a saúde da mulher e da criança, colaborando para a construção e efetivação do direito adquirido dos povos indígenas por uma atenção diferenciada à sua saúde. A valorização do trabalho das parteiras e dos pajés nas aldeias contribuirá para a diminuição dos encaminhamentos das parturientes aos hospitais e, conseqüentemente, para a diminuição da ocorrência de cesarianas. Nesse sentido, a adequação das tecnologias de parto tradicionais visa contribuir para a redução das atuais taxas de morbi-mortalidade materno-infantil.

2 comentários para Valorização e adequação dos Sistemas de Parto Tradicionais das Etnias Indígenas do Acre e do Sul do Amazonas

  • ricardure

    Olá Benedicte,

    Obrigado pelo comentário. Vou passar seu contato para a nossa colaboradora que realizou os estudos etnográficos com as parteiras indígenas, ok.

    Abraços

    Ricardo Calaça
    Diretor Olhar Etnográfico

  • Benedicte Schoonbroodt

    Bom dia,

    Eu estou trabalhando na Universidade de Lieja (Université de Liège) na Belgica como assistente e fazendo uma tese de doutorado em socioantropologia. Eu trabalho sobre as desigualdades socioculturais na prática do parto no Brasil.

    Vou para Manaus a partir do 12 de junho ao 23 de agosto de 2009, para a minha pesquisa de doutorado.

    Pod me informar sobre associação o parteiras de Manaus trabalhando na assistência ao parto, por favor?

    O informar-me tambêm sobre sociólogos e antropólogos trabalhando sobre o tema da minha tese: parto cesáreana e parto vaginal, a saúde materna e o nascimento?

    Eu lhe agradeço muito pelo seu ajudo.

    Bénédicte Schoonbroodt
    0032 478 74 72 16
    0032 4 344 40 69
    bschoonbroodt@ulg.ac.be